Capítulo 1
Os livros do Novo Testamento não estão em ordem cronológica. Os evangelhos foram escritos após quase todas as cartas de Paulo, cujo ministério epistolar começou provavelmente por volta do fim dos anos 40. A maior parte de suas cartas apareceu durante os 50. Para encontrar a informação mais antiga, deve-se ir às cartas de Paulo e perguntar-se: "há sinais de que fontes ainda mais antigas tenham sido usadas para escervê-las?".
Descobre-se que Paulo incorporou alguns credos, profissões de fé ou hinos da mais primitiva Igreja cristã. Isto remonta a tempos logo após a Ressurreição.
Dentre os credos mais famosos, temos o de Filipenses 2:6-11, Colossenses 1:15-20. Estes são os que melhor indicam aquilo em de que os cristãos estavam convencidos a respeito de Cristo. Mas o mais importante credo talvez seja o de 1 Coríntios 15, onde Paulo usa linguagem técnica para indicar que ele estava passando adiante uma tradição oral numa forma relativamente fixa.
Então, se a Crucifixão aconteceu por volta do ano 30, a conversão de Paulo foi por volta de 32. Ele foi então imediatamente se dirige a Damasco onde encontra Ananias a alguns outros discípulos cristãos. Seu primeiro encontro com os Apóstolos deve ter sido em 35, em Jerusalém. Em algum momento neste ínterim, Paulo recebeu esse credo, que já havia sido formulado e já era usado na Igreja primitiva.
Temos então os fatos a respeito da morte de Jesus por nossos pecados, além de uma lista detalhada daqueles para quem Ele apareceu ressuscitado, todas essas aparições datando de dois a cinco anos após o evento.
Não se trata, portanto, de mitologia elaborada tardiamente. Pode-se inferir que a crença cristã na Ressurreição remonta a dois anos após o evento, ainda que ele só tenha sido registrado por escrito mais tarde.
Assim, o tempo transcorrido entre a Paixão, morte e Ressurreição de Cristo e seus registros escritos não é de aproximadamente 30 a 60 anos, mas sim 2.
Capítulo 3
Vejamos o caso de Tácito, historiador romano que escreveu os Anais do Império Romano por volta de 116 d.C. Os livros de 1 a 6 existem hoje num manuscrito copiado em 850. Os livros 11 a 16 estão em outro manuscrito que data do século XI. Os livros 7 a 10 foram perdidos.
Os evangelhos têm cópias manuscritas que datam de aproximadamente duas gerações após os originais, enquanto que no caso de outras obras antigas passaram-se de 5 a 10 séculos entre o texto original e sua cópia mais antiga de que se tem notícia.
Quanto a Flávio Josefo, historiador do primeiro século, há nove manuscritos de seu "A Guerra Judia", copiados entre os séculos X a XII. Há uma tradução latina do século IV, além de materiais russos do século XI ou XII.
Em contrapartida, o número de cópias catalogadas do Novo Testamento, apenas em grego, é de mais de 5 mil! Em latim o número é de 8 a 10 mil. Existem ainda em torno de 8 mil cópias em etíope, eslavo e armênio, chegando a um total de aproximadamente 24 mil manuscritos.
Atrás do Novo Testamento em número de cópias vem a Ilíada, de Homero, escrita por volta do ano 800 a.C., da qual hoje temos menos de 650 cópias, provenientes dos séculos II, III e seguintes.
Capítulo 4
Flávio Josefo, no seu "Antiguidades", descreve como um alto sacerdote chamado Ananias tirou vantagem da morte do governador romano Festus (que também é mencionado no Novo Testamento) para providenciar a morte de Tiago, o irmão de Jesus. “He convened a meeting of the Sanhedrin and brought before them a man named James, the brother of Jesus, who was called the Christ, and certain others. He accused them of having transgressed the law and delivered them up to be stoned”. Se isto fosse uma interpolação cristã posterior, ela provavelmente teria sido mais elogiosa a Tiago.
No seu "Testimonium Flavianum", Flávio Josefo escreve uma passagem ainda mais extensa sobre Jesus. Alguns trechos podem levantar suspeita de ser interpolações, mas mesmo removendo-os, chega-se à conclusão de que Jesus foi o líder da Igreja de Jerusalém, foi martirizado, e foi um sábio mestre que teve seguidores numerosos e duradouros, apesar do fato de ter sido crucificado sob Pôncio Pilatos por instigação de lideranças judaicas.
Tácito, em 115 d.C., afirma que Nero perseguiu cristãos como bodes expiatórios para afastar as suspeitas de que ele seria responsável pelo fogo que devastou Roma em 46. Fica evidente que a crucifixão era a pena mais execrável a que alguém poderia ser condenado, e o fato de que houve um movimento baseado num condenado à crucifixão precisa ser explicado. Para um cristão, a explicação é simples: Ele ressuscitou e comprovou quem era. Mas aquele que não é cristão não acredita que a Ressurreição aconteceu, portanto precisa encontrar uma outra explicação.
Plínio o Jovem, que foi governador da Bitínia, noroeste da Turquia, fornece testemunhos importantes nas suas correspondências com seu amigo, o Imperador Trajano. Ele tentou fazer cristãos negarem sua fé sob pena de punições que poderiam chegar à execução. Não obteve sucesso. Ele relata ainda que os cristãos se reuniam regularmente antes do amanhecer, num dia determinado, para cantar versos alternadamente entre eles, em honra a Cristo, como que a Deus; e também que eles juravam abstinência de atividades criminais, roubo, adultério etc. Mesmo ao tentar extrair a verdade de servas, chamadas diaconisas, ele não lograva êxito. Este relato demonstra como o cristianismo se espalhava tanto pela cidade quanto pelas zonas rurais, pois havia tanto as servas quanto cidadãos romanos que eram enviados a Roma para julgamento. Ele fala também que os cristãos louvavam Jesus como Deus, e mantinham altos padrões éticos, além de não serem facilmente demovidos de suas crenças.
No que concerne a escuridão que se verificou no planeta no momento da morte de Jesus na cruz, o historiador Thallus escreveu em 52 d.C. uma História do Mediterrâneo oriental desde a guerra de Tróia. Embora o trabalho de Thallus tenha se perdido, ele é citado mais tarde por Julius Africanus por volta do ano 221, e lá é feita referência à escuridão da qual fala o Evangelho. Segundo Africanus, Thallus atribui a escuridão a um eclipse, mas Africanus afirma que não pode ter sido esta a causa, dado o momento em que a crucifixão ocorreu. O pesquisador Paul Maier, no seu "Pontius Pilate" (1968) diz em uma nota de rodapé que o fenômeno foi visível em Roma, Atenas e outras cidades do Mediterrâneo. Prossegue ele dizendo que Tertuliano afirmou ter sido um "evento cósmico", "mundial". Continua Maier lembrando que Flégon, autor grego de Caria, relata pouco após 137 d.C que no quarto ano da 202ª olimpíada (ano 33 d.C.) houve "o maior eclipse solar", e que "fez-se noite na sexta hora do dia [meio-dia], de tal modo que as estrelas apareceram no céu. Houve um grande terremoto em Bitínia e muitas coisas foram destruídas em Nicéia".
Quanto aos judeus, sua literatura tradicional faz referência a Jesus, embora de maneira esparsa, e assim corrobora Sua existência afirmando que Ele operava curas e milagres, apesar de atribuir esses feitos à bruxaria. Além disso, ratifica o fato de que Ele era um mestre e tinha discípulos (no número de 5) e que, pelo menos no início da era rabínica, nem todos os sábios sustentavam a opinião de que Ele era "herético" ou um "impostor".
De posse apenas das fontes não cristãs, tais como Flávio Josefo, o Talmud, Tácito, Plínio o Jovem e outros, em resumo chegam-se às seguintes conclusões sobre Jesus: (1) Ele era um mestre judeu; (2) muitos acreditavam que Ele realizava curas e exorcismos; (3) alguns acreditavam que Ele era o Messias; (4) Ele foi rejeitado pelos líderes judeus e (5) foi crucificado sob Pôncio Pilatos, no reino de Tibério; (6) apesar de sua morte humilhante e vergonhosa, seus seguidores, que acreditavam que ele ainda estava vivo, se espalharam para além da Palestina chegando a formar multidões em Roma por volta do ano 64; e (7) todo tipo de pessoa, desde camponeses a citadinos, homens e mulheres, escravos e homens livres, O louvava como Deus.
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